sábado, 13 de novembro de 2004

O preço da dignidade

Vinte anos se passaram desde que um acordo de 13 supostos cavalheiros proclamou o Flamengo campeão brasileiro de 87. O tempo exato para que outra equipe igualasse o feito rubro-negro, também conquistasse seu quinto título e transformasse em isopor uma conquista inquestionável até então.

Honestidade e lealdade não são exatamente palavras caras ao mundo do futebol. Não é preciso ir muito longe para se constatar isso. Quando o Brasil perdeu a Copa de 98, se prometeu uma devassa nas contas da CBF, uma caça às bruxas do mundo da bola como nunca se havia visto antes. Pois não foi preciso mais do que um ano para que o surto de moralidade se transformasse em pizza, quando os dirigentes perceberam que o relatório de Aldo Rebelo e Silvio Torres podia acabar sobrando para muita 'gente boa'.

Um ano depois, o Botafogo foi surrado no Morumbi pelo São Paulo - 6 a 1 - e, não satisfeito com o destino que o rebaixaria, arquitetou uma manobra nos porões do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, anulando o resultado daquela partida e garantindo assim sua permanência na primeira divisão. No mesmo ano, o Fluminense assegurava em campo o acesso à Série B, campeonato que o tricolor carioca jamais disputaria, ao ser levado diretamente à divisão de elite do futebol brasileiro.

As histórias de viradas de mesa são incontáveis no único país pentacampeão mundial e deveriam ser suficientes para ensinar às agremiações a não confiarem umas nas outras. Por 20 anos, o Flamengo acreditou que seu título de um campeonato não-oficial, chancelado apenas por eles, clubes, jamais seria posto em xeque. 2007 está aí para provar que os rubro-negros estavam errados.

Na verdade, estavam certos, afinal, mais do que no mundo real, no futebol brasileiro o planeta é dos espertos. Esperteza que garantiu às entidades contratos eficientes com as TVs e patrocinadores no ano de 1987 assim que perceberam o óbvio: poderiam lucrar mais sem a chancela da CBF. Mas, ao contrário do que ocorreria na Inglaterra cinco anos depois, Ricardo Teixeira sabia que os clubes não seriam leais o bastante para se auto-sustentarem. A mentalidade dos dirigentes tupiniquins não suporta perder no curto prazo para ganhar adiante. Por isso, no ano seguinte, todos fingiram que nada havia acontecido e tocaram o Brasileirão com o aval da CBF e o mesmo batismo infeliz: Copa União.

O Flamengo é o boi-de-piranha dessa história toda. Paga a falta de coragem dos 13 clubes mais importantes do país, que não romperam no tempo devido com a entidade controladora do futebol brasileiro. Agora, não adianta chorar a festa alheia. Dissimuladamente - o que em nada surpreende a ética da bola brasilis -, o tricolor paulista se auto-proclama único pentacampeão brasileiro, enquanto a Gávea se afoga num ressentimento de quem entre os grandes é o primeiro, mas preferiu o caminho das alianças de momento e do lucro fácil.

Assim, a tal taça de bolinhas só vai existir na imaginação dos rubro-negros, que terão para sempre contra si a a indiferença conveniente de seus parceiros e frieza dos números. Os mesmos números que apóiam o ilícito - porém leal - jogo do bicho. Por lá, diz-se que vale o escrito. E, como típica jogadora, que sabe de cor e salteado essa máxima, a diretoria do Flamengo não precisa enganar uma nação de apaixonados com falsas esperanças de dignidade histórica.

terça-feira, 9 de novembro de 2004

Dilemas tricolores

São Paulo e Fluminense estão classificados para a Libertadores da América 2008 e podem assistir de camarote à briga pelas três vagas restantes para o torneio continental. Mas a tabela permite que os tricolores façam mais do que isso e Muricy Ramalho já disse: vai com o time tilular para a "decisão" contra o Grêmio, no Morumbi. Decisão? Exatamente.

Para o técnico são-paulino, vencer o time gaúcho no próximo fim-de-semana é eliminar um futuro concorrente ao título de melhor das Américas. Rogério Ceni faz coro e afirma o que não se pode dar sopa a um time "copeiro", acostumado a torneios de tiro curto, ou o destino do clube mais bem-estruturado do país pode ser uma nova eliminação frente ao tricolor dos pampas.



Com o Fluminense, o raciocínio é o mesmo. Vai a São Paulo na próxima rodada com a chance clara e manifesta de complicar de vez a vida do Palmeiras. O Palestra Itália vai virar uma panela de pressão, porque o sempre quente sangue italiano não vai tolerar novo insucesso após derrotas inesperadas para Juventude e Sport. Na última rodada, as vezes de estraga-prazeres será contra o Santos, na Vila Belmiro. Como a tabela não é lá muito amena para o Peixe - pega Flamengo no Rio e Paraná em Curitiba -, periga o tricolor carioca deixar na baixada santista um gosto muito amargo de decepção.

Curioso como o futebol apronta para os eternos rivais. Prejudicar o Grêmio, para o campeão São Paulo, é ajudar Palmeiras e Santos a chegar à competição continental. Do mesmo modo, atrapalhar a vida de palestrinos e santistas, pode significar para o Flu entregar a vaga ao Flamengo. E por falar em inimigos venais, o que dizer dos colorados, que, se vencerem Palmeiras e Cruzeiro, justamente pavimentam o caminho do Grêmio para o principal torneio das Américas.

É, no mínimo, curioso que, por caprichos dos deuses da bola, equipes sem pretensão aparente dêem um tempero especial à reta final do Brasileirão. Anfitriões com entrada vip que poderão se gabar de dizer que, no finzinho das contas, escolheram a dedo quem os acompanharia na seleta festa da Libertadores da América.

terça-feira, 2 de novembro de 2004

Vendo asterisco 87 - único dono


Talvez pela obviedade anunciada, o pentacampeonato brasileiro do São Paulo está rendendo menos do que a discussão da exclusividade desses cinco títulos. A razão é simples: um dos canecos nacionais levantados pelo Flamengo não teve a chancela da CBF. Portanto, oficialmente, o tricolor do Morumbi pode se auto-proclamar único pentacampeão da história.

Pior do que ver os são-paulinos não enxergarem o óbvio (o Fla foi o legítimo campeão nacional de 87, já que venceu o campeonato disputado entre as melhores equipes do país), é perceber o desespero dos flamenguistas desfiando um rosário de argumentos em prol de suas cinco conquistas. Soa como uma briga infantil para saber quem tem o melhor brinquedo.

Sport e Guarani venceram um dos módulos daquele campeonato, organizado parte pela CBF, parte pelo Clube dos 13. Depois de 5 rodadas disputadas da Copa União - o torneio dos times de elite -, a entidade máxima do futebol brasileiro decidiu arbitrariamente mudar as regras do jogo e determinar que os finalistas enfrentassem os dois primeiros do "campeonato dos pobres" organizado por ela. E quem disse que os clubes concordaram? Simplesmente tocaram o campeonato organizado por eles próprios e proclamaram, em consenso, o Flamengo campeão de 1987. Insatisfeita, a CBF outorgou o Sport campeão e deu-lhe o direito de disputar a Taça Libertadores do ano seguinte.

Curioso que esse assunto foi sepultado pela própria entidade. Embora não reconhecendo o título rubro-negro, ela permitiu que o torneio de 1988 fosse também organizado pelos grandes clubes, inclusive com o mesmo nome: Copa União. E para qualquer um que acompanhou ou disputou aquele campeonato - inclusive adversários viscerais do Fla como Eurico Miranda, presidente do Vasco - o título foi incontestável. Uma passada rápida na súmula do jogo decisivo não deixa dúvidas: se enfrentaram duas das maiores equipes do futebol brasileiro na ocasião. De um lado Zico, Leandro, Jorginho, Bebeto, Andrade, Zinho e Renato Gaúcho. Do outro, jogadores como Taffarel e Paulo Roberto. Um espetáculo para 91.034 pagantes. É gente demais para ser enganada junta e de corpo presente.

Do mesmo modo, o Uruguai se proclama tetracampeão mundial, já que venceu as Olimpíadas de 24 e 28, quando ainda não existia Copa do Mundo. Argumento semelhante invoca o Fluminense, que reivindica o título de Campeão Brasileiro de 1970 e o Palmeiras, que ganhou um torneio internacional em 1951, em uma época que não existia Mundial Interclubes. As reivindicações são legítimas em boa parte dos casos. Se as equipes foram popularmente aclamadas como tais na época, não reconhecê-las assim é um ato de, no mínimo, descaso histórico. Surpreende é ver a mesma imprensa que cobriu os acontecimentos da época jogar querosene em fogo de palha. Pra que se esforçar tanto para ressucitar argumentos quando os fatos falam por si?

Talvez o que mais incomode os flamenguistas seja ver o título de 87 sempre pontuado por um asterisco, a apontar algo por esclarecer naquela conquista. Em um assunto polêmico e indigesto que jamais se esgotará em poucos parágrafos ou um punhado de minutos, os rubro-negros precisam ter a maturidade de se calar na certeza de que os fatos jogam a favor. É a chave para sepultar esse tipo de discussão que não deveria ir além das portas dos botequins.

segunda-feira, 25 de outubro de 2004

Matou o carro e foi pra boate


A reação dos candidatos ao título de campeão mundial após o GP Brasil de Fórmula 1 não deixa dúvidas: foi muito fácil para o homem lá de cima decidir de quem seria o troféu de 2007.

Fernando Alonso mostrou assombrosa frieza ao lamentar a perda do título em Interlagos. Parecia que não estava lá se importando tanto e, antes que alguém venha justificar a atitude na experiência de um bicampeão, a resposta eufórica de seus compatriotas em Oviedo mata a charada: o espanhol gargalhou por dentro de ver o campeonato escorrer entre os dedos do companheiro (?) Hamilton.

Pois Lewis, que desperdiçou o título com 7 pontos de vantagem sobre o adversário campeão e 4 sobre o desafeto Alonso, esse sim já deve estar numa crise sem tamanho, certo? Que nada. Depois de ele próprio confessar com absoluta tranqüilidade e as imagens confirmarem que apertara acidentalmente o botão de ponto morto de seu McLaren, foi filmado em uma boate de São Paulo. Na festa (?) oferecida pela equipe inglesa, devia estar contente por curtir as brasileiras e saborear o fracasso de Alonso - se eu não pude, ao menos o bicampeão não conseguiu...

Enquanto isso, bem longe dali, o improvável campeão Raikkonen confessa: é tanta felicidade que quase dói. E não podia ser diferente. Depois de amargar dois vice-campeonatos e ameaçar seriamente o reinado de Rubens Barrichello como o piloto mais azarado da Fórmula 1, Kimi recebeu, com juros e correção, o título que seu passado clamava.

Se Ron Dennis viu o título de sua equipe se transformar em pizza numa interminável sucessão de confusões entre seus subordinados - incluindo as estrelas da companhia -, a Ferrari parece ter aprendido a jogar em equipe sem constranger pilotos, espectadores nem jornalistas. Deixou que Massa e Raikkonen duelassem ao longo da temporada e, com precisão e lealdade britânicas, estabeleceu a prioridade ao finlandês.

A lição, aprendida pela Williams de Mansell e Piquet na década de 80 - quando entregaram um título líquido e certo de mão beijada para Prost -, tem sabor amargo apenas para Ron. Com lágrimas nos olhos, o único personagem realmente desapontado nessa história toda percebe que, justamente na Fórmula 1 das super-máquinas, não pode mais ter dois primeiros pilotos num mesmo time.

sábado, 23 de outubro de 2004

Há vagas

O Brasileirão chega à reta final. Daqui para frente, serão 6 rodadas com cara de decisão, sempre com jogos entre times de estados diferentes. Cada uma das 20 equipes vai jogar 3 vezes em casa e 3 fora. O título, todos já sabem, tem dono: o São Paulo. Isso não significa que muita coisa não estará em jogo. Vamos conferir:

Título
São Paulo
Não é impossível que o São Paulo já comemore seu título na semana que vem. Basta que o Cruzeiro não vença em casa o Atlético Paranaense e que o Vasco, em casa e de técnico novo, derrote o vice-líder Palmeiras. Bom, essa é a primeira parte, talvez a menos difícil. O problema é o próprio São Paulo superar o Sport, ameaçado de rebaixamento e lutando pela Sul-Americana, na Ilha do Retiro lotada. Se isso não for possível, a festa fica para o Morumbi, contra o América de Natal, já rebaixado. Os jogadores preferem assim e a vontade deles - e de milhões de são-paulinos - deve se cumprir daqui a duas semanas.

Libertadores
Fluminense
Campeão da Copa do Brasil, garantiu vaga e vai assistir de camarote à briga pelas primeiras posições e contra o rebaixamento. Pode ser o fiel da balança ao tirar pontos dessas equipes.

Palmeiras
Só perde a vaga se vacilar em casa. Precisa somar 8 pontos em 18 disputados, ir aos 62 e comemorar. Dos pretendentes às 3 vagas restantes, está em melhor situação. Basta vencer o já rebaixado Juventude, o classificado para a Libertadores Fluminense e o Atlético Mineiro - até a última rodada provavelmente livre do rebaixamento -, tudo no Parque Antárctica. Se quiser triunfar fora, vai precisar bater Vasco, Sport ou Internacional.

Cruzeiro
Desde que derrotou o Vasco, no dia 23 de setembro, não sabe o que é sair vitorioso. São 2 pontos em 15 disputados, um mês sem conhecer uma vitória sequer e, convenhamos, não tem hora pior para uma queda de rendimento do que as rodadas decisivas. Mesmo se analisarmos a tabela friamente, a tarefa celeste não é das mais fáceis: Precisa somar 9 pontos (3 vitórias) nos 6 jogos restantes. Enfrenta em casa Atlético Paranaense e América de Natal. Até aí, tudo bem. O problema são os 3 pontinhos que faltarão. Tem de ganhar do Flamengo - que não pode se dar ao luxo de perder mais pontos - e, se quiser buscar fora de casa, precisará passar por Botafogo, Internacional ou Sport.

Santos
Precisa somar 10 pontos (3 vitórias e 1 empate) em 18 disputados. Se mantiver o desempenho excelente em casa (não perde desde 28 de julho), passa por Goiás, Atlético Mineiro e Fluminense. Para arrumar o pontinho que falta, a receita é derrotar fora de casa o até lá rebaixado Paraná, porque se depender de vencer Flamengo ou Náutico, a coisa pode complicar...

Grêmio
Faltam 11 pontos (3 vitórias e 2 empates) para brigar novamente na principal competição das Américas. Tem uma tarefa muito dura para tirar o Flamengo do encalço e confirmar a vaga. Primeiro, porque, mesmo em casa, enfrenta duas equipes desesperadas para não cair: Corinthians e Náutico. Mesmo que vença o Figueira no Olímpico e o América em Natal, vai precisar buscar pontos importantes fora. E logo contra quem? Atlético Paranaense, que ainda não perdeu em casa no segundo turno, e São Paulo - nem precisa dizer.

Flamengo
A tradição de "time de chegada" é conhecida de outros carnavais, mas não vai ser fácil dobrar a lógica e conquistar 13 pontos em 18 disputados (72,2% de aproveitamento, sendo que o São Paulo tem 71,2%), ou seja, fazer campanha de time campeão. Serão 3 jogos em casa sem chance para derrota: Corinthians, Santos e Atlético Paranaense, além do rebaixado América em Natal. Difícil será tirar ponto do Cruzeiro, no Mineirão, ou do Náutico, nos Aflitos. Mas todo esse cálculo pode ir para o ralo se a perda de mando de campo se cumprir para os rubro-negros, após um copo ter sido atirado em campo na partida contra o Grêmio.

Rebaixamento
Internacional
Precisa apenas de 4 pontos em 18 disputados para não ser rebaixado. Chances não faltarão para o Inter cumprir esse objetivo inglório, embora os adversários sejam duros. Palmeiras e Cruzeiro podem complicar no Beira Rio, mas, diante do Sport, os 3 pontos devem vir sem tanta dificuldade. Fora de casa, pode roubar mais um pontinho do praticamente rebaixado Paraná, do Vasco ou do desesperado Goiás.

Vasco da Gama

Apenas 5 pontos separam o Vasco da permanência da primeira divisão. A tabela favorece os cruzmaltinos, que, embora enfrentem o motivado Palmeiras e o ameaçado Internacional em São Januário, podem se garantir vencendo o desinteressado Figueirense em Floripa e o quase rebaixado Paraná em Sâo Januário. Se não somar esses pontos, vai precisar tirar coelhos da cartola contra o desesperado Corinthians no Pacaembu ou o igualmente ameaçado Goiás, no Serra Dourada.

Atlético Mineiro
Dentre os ameaçados de rebaixamento, é o que tem a tabela mais a favor. Também precisando de 5 pontos em 18 disputados, pega o quase rebaixado Paraná e o moribundo Juventude do Mineirão. Vencer os dois jogos garante o Galo. Outra chance em casa será contra o Goiás. Se tropeçar em Minas, pode arrancar pontos do despertensioso Fluminense no Maracanã, para não ter de vencer Santos ou Palmeiras também fora de casa.

Náutico
A reação impressionante do segundo turno deixou o Timbu em pé de igualdade com os rivais na briga contra o rebaixamento. Só que agora começa um novo campeonato para os pernambucanos. Eles precisam de 5 pontos (1 vitória e 2 empates), que podem vir contra América de Natal, Santos ou Flamengo em casa. Se não der, podem tentar se salvar fora contra Grêmio, Fluminense ou Figueirense, ou seja, terão a tabela a seu favor. Difícil vai ser controlar a ansiedade.

Sport
A equipe pernambucana precisa apenas de 5 pontos em 6 jogos para chegar aos 48 e escapar do rebaixamento, mas a tabela é inglória com os rubro-negros. Enfrentam Sâo Paulo, Palmeiras e Cruzeiro em casa, todos com muito em jogo na competição. Fora, enfrenta o Atlético Paranaense, que ainda não perdeu em casa no segundo turno, e o Internacional, que dificilmente deixa pontos escapar no Beira Rio. Vencer apenas o rebaixado Juventude, em Caxias do Sul, na última rodada, pode não ser suficiente.

Goiás
Mesmo com 41 pontos e precisando de 7 para se salvar, a equipe goiana tem um trunfo: o número de vitórias. Como empatou pouco no campeonato, levará vantagem sobre um concorrente que terminar com o mesmo número de pontos do que ele. Mas a tarefa não será fácil. Vai precisar encontrar 2 vitórias e 1 empate contra Vasco e Internacional em casa ou Santos, Paraná e Atlético Mineiro fora. A partida contra o Corinthians, no Serra Dourada, é decisiva. Se vencer, praticamente elimina o concorrente direto e se garante na primeira.

Corinthians
Tem uma situação muito delicada, pois não depende apenas de si próprio. Tem de vencer 3 jogos e empatar 1 nos 6 que faltam, desde que não perca para o Goiás fora de casa. Além desta partida, vai precisar buscar pontos contra os despretensiosos Figueirense, Atlético Paranaense e Vasco, tudo em casa. Outra opção será vencer Flamengo ou Grêmio, fora.

Paraná
Tem de somar 14 pontos em 18, ou seja, cada jogo é uma decisão para os paranistas. Em casa, enfrenta Inter, Goiás e Santos. Fora, encara Atlético Mineiro, Botafogo e Vasco. Dificilmente escapa da degola.

Juventude
Só um milagre associado a improváveis combinações de resultados livram os gaúchos do rebaixamento. Para começar, precisa vencer os 6 jogos restantes: Botafogo, São Paulo e Sport, em casa, e Palmeiras, Atlético Mineiro e Fluminense fora.

América de Natal
Embora já esteja rebaixado, pode ser o estraga-prazeres se tirar pontos de quem luta pela Libertadores ou para fugir do rebaixamento. Jogar sem responsabilidade pode ser um ponto a favor do time potiguar.

Sul-americana
Figueirense
Precisa de 8 pontos em 18 para chegar aos 53 e garantir vaga na competição. Fluminense, Vasco e Náutico são os adversários em casa. Se não fizer a obrigação em Floripa, poderá buscar pontos contra Cornthians, Grêmio ou Botafogo. Dificilmente fica de fora.

Botafogo

Situação idêntica à do Figueira. Em casa, enfrenta Cruzeiro, Paraná e Figueirense. Fora, pega Juventude, América de Natal e Figueirense. A julgar o péssimo segundo turno da equipe, pode deixar escapar até mesmo essa vaga na Sul-Americana.

Atlético Paranaense
Assim como Botafogo e Figueirense, precisa de 8 pontos. Joga em casa contra Grêmio, Sport e Sâo Paulo. Fora, encara Cruzeiro, Corinthians e Flamengo. A tabela não ajuda, mas, se mantiver o ótimo desempenho na Arena da Baixada no segundo turno, deverá ficar com uma vaga. Os outros times na competição serão dois dos cinco que fracassarem na briga pela Libertadores e duas ou três equipes que hoje estão ameaçadas de rebaixamento, além do virtual campeão Sâo Paulo.

segunda-feira, 18 de outubro de 2004

Goleada da democracia


Não foi apenas a seleção brasileira que ganhou um presente dos mais de 80 mil torcedores presentes ao Maracanã para Brasil 5x0 Equador. O futebol maduro, responsável e, acima de tudo, democrático, agradece a uma torcida tão plural em seus manifestos. Por isso Pelé, rei com a bola nos pés, mas simples mortal com palavras na boca, escorregou ao criticar o comportamento dos brasileiros no maior estádio do país.

Vaia nasceu para criticar, jamais para ser criticada. As vozes uníssonas que tão cedo repreenderam o futebol enfadonho da seleção de Dunga clamavam o valor de cada centavo investido naquele espetáculo. Uma seleção que, em campo, não conseguia ser brilhante o suficiente para justificar todo o prestígio que a cerca não era capaz de superar o bloqueio imposto pelos equatorianos. Isso quando eram jogados apenas 20 minutos do primeiro tempo. Bastou para os atletas brasileiros despertarem do transe provocado pela própria torcida, ao proporcionar um espetáculo paralisante, jamais visto in loco por 10 dos 11 jogadores.

Foi instintivo. Infantil mesmo. E ninguém conseguiu disfarçar. As lágrimas nos olhos de Júlio César durante o hino nacional, as pernas pesadas de Ronaldinho a errar passes óbvios, o olhar tenso de Dunga, a alegria menina de Robinho e Kaká, sabedores do dever cumprido - antes tarde do que nunca. Cada qual ao seu modo expressou sua pequenez diante da história do maior do mundo. Com a torcida não foi diferente.

Como lembrou no intervalo Fernanda Montenegro, presente à histórica partida em que mais de 100 mil vozes vaiaram uníssonas a entrada de Julinho Botelho no lugar de Garrincha, isso lá pelos anos 60. Pois Julinho, único personagem de quem hoje Fernanda se recorda, fez questão de dizer que ele sim tinha razão, ao ter sido escolhido. O tempo mostrou quem estava certo.

O tempo da superproteção institucional ao astros da seleção foi sepultado com o quinto lugar na Copa da Alemanha. Agora, os poderes são divididos. Dunga comanda, mas não manda. Jorginho auxilia, mas não expõe ninguém a esmo. Quem treina bem joga e quem vai mal em seu clube assiste de casa.

Nada mais saudável então do que o intempestivo termômetro do torcedor. Sempre disposto a vaiar muito quando as coisas vão mal e aplaudir de pé o bom espetáculo, ele é o fiel da balança dessa estrutura horizontal de honestidade de princípios sobre a qual nossa seleção desfila às portas da Copa de 2010. A caminho da África do Sul, torcedores e jogadores celebram em um só coro o fim do apartheid multi-estrelar na seleção brasileira de futebol. E se orgulham de serem brasileiros com muito amor e muita crítica - como apraz a qualquer bom casamento.

domingo, 3 de outubro de 2004

Um sonho ao alcance













Diria o pessimista que sonhar com uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada no Brasil é perda de tempo. Realizar ambos os eventos em um intervalo de dois anos, então, seria possibilidade quase nula até para o mais fantasioso otimista. Mas com base em fatos, e boas justificativas, o Brasil se vê, hoje, com boas chances de receber a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

O caderno de encargos para a realização da Copa já foi entregue à Fifa. O país segue no pleito como candidato único. Consistente, o projeto brasileiro conta com as garantias governamentais firmadas pelo presidente Lula, além de estar voltado para a captação de recursos financeiros do setor privado – diferentemente do projeto do Pan, que foi quase todo bancado pelos cofres públicos.

No dia 30 de outubro, a Fifa confirma ou não o Brasil como sede da Copa-2014. As chances de ouvir o “sim” da entidade são do tamanho do sonho de receber novamente, depois da Copa de 50, o evento maior do futebol. Enquanto a Copa parece uma conquista mais palpável, o objetivo de sediar uma Olimpíada está um pouco mais distante. Ainda assim, a ambição do Comitê Olímpico Brasileiro é realista e, sobretudo, realizável.

Há um longo caminho a ser percorrido até a data em que o COI anunciará a cidade-sede das Olimpíadas de 2016, em outubro de 2009. Sediar um evento olímpico requer estrutura e planejamento muito mais consistentes que a organização de um Pan-Americano.

A postulação do Rio de Janeiro à sede olímpica surge em um momento favorável. O sucesso do Pan, e o ganho em infra-estrutura esportiva proporcionado pelo evento, credenciam a cidade como forte candidata a receber os Jogos Olímpicos em 2016. Os governos federal, estadual e municipal também já deram garantias e apoio à candidatura do Rio. Sem contar esses fatores positivos a favor da cidade, o próprio COI já admitiu o desejo em levar uma Olimpíada até a América do Sul.

Para isso, a entidade afirma que a América do Sul precisa “atrair” os Jogos. Cada vez mais consolidada como uma cidade global, especializada em receber grandes eventos, o Rio de Janeiro tem tudo para concretizar essa atração.

A história, ainda, faz questão de contradizer quem não acredita na possibilidade de o Brasil sediar dois megaeventos em um curto espaço de tempo – 2014 e 2016. Em 1970, o México recebeu a Copa do Mundo, sendo que, dois anos antes, havia recebido também os Jogos Olímpicos.

Mas o Brasil pode trilhar o mesmo caminho percorrido pelos Estados Unidos na década de 90. Em 1994, os norte-americanos sediaram a Copa e, dois anos mais tarde, a cidade de Atlanta foi sede da Olimpíada. Em 1987, os Estados Unidos haviam organizado os Jogos Pan-Americanos, na cidade de Indianápolis. Após sete e nove anos, respectivamente, o país recebeu a Copa de 94 e as Olimpíadas-96. Coincidentemente, essas são as mesmas distâncias de tempo que separam o Pan do Rio de Janeiro, realizado este ano, da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Não dá para comparar as condições financeiras e estruturais de Estados Unidos e Brasil. No entanto, até 2014, o país tem tempo suficiente para traçar planejamentos sólidos e menos dependentes do dinheiro público para receber dois megaeventos esportivos. Ocasião e história conspiram a favor do Brasil. Portanto, daqui pra frente, sonhar alto faz parte das regras do jogo.

[Só como base de comparação: www.chicago2016.org, este é o site oficial da candidatura de Chicago, que, ao lado do Rio de Janeiro, já desponta como favorita para sediar as Olimpíadas 2016. Em uma rápida passagem pelo site, dá pra ver que a cidade tem pouquíssimas instalações prontas. Quase tudo não passa de projeções. E o projeto, a princípio, é bem parecido com o modelo aplicado no Rio para o Pan. A briga promete ser boa entre as duas cidades.]

terça-feira, 28 de setembro de 2004

Diário de um vexamista


Depois do boquense, do são-paulino e dos atleticanos, acaba de se inaugurar uma nova categoria: os vexamistas!

Acabo de passar por uma pouco comum, ao ter de me conectar na Internet para ver o resultado do jogo de meu time no dia anterior. Logo eu, tão aficcionado por futebol e mais aficcionado ainda pelo Botafogo! Mas sabe que por um lado foi bom?

Pela primeira vez pude ler uma manchete virtual que me contasse 100% do que eu não sabia. Ontem tive um compromisso inadiável e não pude ver o jogo. Cheguei em casa tarde e fui dormir. Ao navegar pela Grande Rede, então, me deparo com a foto do Juninho cabisbaixo e a legenda: "Zagueiro é a imagem da decepção após vexame". Entre as chamadas, uma garante a demissão do técnico Cuca, não aceita pelo dirigente que se diz envergonhado.

De quanto foi a goleada? Qual o saldo do tango mal dançado em Buenos Aires? Quatro a zero? Não, deve ser pouco. De alma sofredora prevenida, pensei em algo como sete, oito a zero.

Que nada, 4 a 2! Eis o "retrato" do vexame inaceitável. Aí pensei que alguma coisa estava errada. Poderia ser a legenda, que tratou uma eliminação natural como uma catástrofe incalculável. Mas ela não deixava de ser solidária à declaração do dirigente. Será que o cego sou eu mesmo? Pode ser, mais deixa ser que este espaço seja o divã virtual (separado e sem o n no final, por favor!).

Quer dizer que perder para uma das duas maiores forças da Argentina ainda por cima NA ARGENTINA por 4 a 2 é um vexame? Tá certo... Imagina que haviam se esquecido do vexame da tenebrosa Hungria em 1938, quando foi arrasada impiedosamente pelas forças de Mussolini por 4 a 2 ou o próprio Brasil de Didi e Nilton Santos, que se curvou de joelhos à hungriazinha de Puskas e Yashin, num vexame incalculável pelo mesmo placar, em 1954. Por falar em argentinos, e para ser mais contemporâneo, o que dizer então da vergonhosa derrota do Vasco para o lanuzinho semana passada por 2 a 0. Com um pouco de vergonha na cara, nem teriam entrado em campo anteontem. Mas vá lá, o regulamento mandava...

Por isso, era obrigação que o Botafogo saísse triunfante com uma vitória incontestável da Argentina. O 1 a 0 no Brasil tinha sido um mero disfarce, afinal a diferença de esquadrões era abissal. Veja que o time alvinegro até deixou ser vencido pelo fraquíssimo Fluminense para dar aquele ar de sansão moribundo...

A desfaçatez foi tamanha que, por 94 dos 95 minutos de jogo, o Botafogo esteve com a vaga na mão, em mais uma demonstração da genuína Raça Gloriosa, demonstrada tão bem no domingo contra aquele Fluminense. Mas levou um gol aos 47 do segundo! Um gol do riverplatezinho na argentinazinha.

Pensando bem, foi um vexame! Perder para um time que tem um cara chamado Ortega... Ortega não, orteguinha. Ou orteguito, como os próprios argentinos gostam de dizer curvando-se à sua vexaminosa inferioridade. Mas vá saber onde estavam com a cabeça os deuses do futebol...

Senão, como explicar as falhas de Max, o paredão alvinegro, Barbosa redivivo sempre a carregar sua cruz pelos erros que não cometeu? Ou a improvável derrocada de uma zaga absoluta. Aliás, alguém se lembra da última vez que essa muralha deixou passar quatro gols de um argentino? (Digo, de um TIME argentino).

Por isso mesmo, me rendo à minha miopia. Os dirigentes desse glorioso e vencedor clube têm razão. Como a FIFA ainda não descobriu o Botafogo para torná-lo sócio-vitalício do Mundial de Clubes e a Conmebol o deixou 11 anos sem uma partida estrangeira oficial?

A culpa é do Cuca, que transformou um time que não ganha quase nada em um time que quase ganha tudo...

segunda-feira, 13 de setembro de 2004

Cidade maravilhosamente tricolor


Com o mesmo número de jogos que o vice-líder Cruzeiro e nove pontos à frente do time mineiro, o São Paulo chega ao último terço do campeonato brasileiro com a mão na taça. Só perde para si mesmo e ainda assim se fizer muita força. Fase maravilhosa com a bênção do Redentor, de braços abertos para o clube mais bem estrutuado e planejado do país.

É na cidade fundada por Mem de Sá que residem as maiores glórias tricolores na temporada. Primeiro, com a vitória sobre o então vice-líder Botafogo, no fim do primeiro turno. Se alguém tinha dúvidas de que o título de 2007 estava muito bem encaminhado para o tricolor, a prova dos nove foi dada ali, diante de 50 mil torcedores do rival. E quando a vantagem já estava consolidada, foi a vez de desbancar o Vasco, invicto há um ano em seu estádio e com o melhor aproveitamento em casa entre os 20 participantes do Brasileirão.

O terceiro triunfo são-paulino em terras fluminenses veio nesta quarta sem que a equipe precisasse derramar uma gota de suor. Não é difícil imaginar que a vitória cruzeirense diante do Flamengo e uma derrota para o Santos no fim-de-semana poderia derrubar a confortável vantagem de nove pontos, construída com tanto cuidado e planejamento. Os 3 a 1 rubro-negros foram o presente de natal antecipado que todo tricolor gostaria de ter recebido. Agora é ter paciência para esperar os jogos que restam.

Entra jogador, sai jogador e o São Paulo não muda a maneira de jogar. Defesa sólida e ataque cada vez mais produtivo são a certeza de que Muricy Ramalho tem o time nas mãos. O tricolor é a prova daquela máxima: técnico ganha e perde jogo. Por isso, não é exagero jogar a culpa neles quando um time vai mal, afinal, quando o trabalho é bem feito, os jogadores viram mais uma peça dentro da engrenagem da equipe. Por que então na Europa os técnicos não viram bodes-expiatórios?

É que lá eles estão submetidos a uma rigorosa e austera estrutura dentro dos clubes. São eles próprios parte da engrenagem, composta também por torcedores-sócios, diretores técnicos e jogadores com prazos de validade contratual decentes. No Brasil, falar nesse tipo de organização é cair numa utopia impensável até mesmo em terras são-paulinas. Então fica combinado que a promiscuidade beira-campo é inevitável, emblemática e educativa, como que a dar a medida da desorganização de nossa administração esportiva. Os técnicos recebem para arrumarem times e não dores-de-cabeça para dirigentes amadores de fala fácil. Pagam o pato pelos insucessos de um futebol efêmero.

Chega a soar irônico que uma das cidades com o futebol mais carente de organização da série A consagre o clube mais estruturado do país. Em um lugar onde a regularidade tricolor soa irritantemente sem-graça, fica o exemplo para que os cariocas recuperem a glória perdida em algum lugar do passado e que hoje passa à frente de suas janelas.

sexta-feira, 6 de agosto de 2004

Sabe aquela do padre?

Se o campeonato brasileiro de futebol é uma maratona de 38 rodadas, a acusação de doping contra Dodô foi o padre irlandês que atrapalhou a corrida surpreendente do líder.

A competição chega a seu momento crucial, quando os chamados "coelhos" dão espaço para os atletas de alto nível que realmente têm chances de faturar o prêmio maior. Para quem não sabe, o coelho é aquele corredor que dá todo o gás no início da prova para tentar puxar o ritmo dos grandes atletas. Como nenhum ser humano consegue manter o ritmo frenético de um "coelho", este se retira da prova fatigado, ou então se contenta em apenas terminar a corrida, isso lá no pelotão intermediário.

O Botafogo fez um grande campeonato carioca e uma boa Copa do Brasil, embora não tenha vencido nenhuma das duas competições. Até aí nada demais, afinal o Flamengo cansou de ser campeão estadual do Rio de Janeiro e fazer feio nos campeonatos brasileiros. O próprio Flu, que venceu a Copa do Brasil neste ano tem um time bastante limitado e que ocupa as posições medianas da tabela. O que surpreende no alvinegro é o bom futebol e a eficiência: liderou durante mais de dez rodadas, algumas delas com cinco pontos de vantagem para o segundo colocado.

Quando a lua-de-mel com a atorcida parecia ter chegado ao ápice, o glorioso sofreu um duro golpe. Assim, da noite para o dia, surgiu a notícia de que seu principal jogador, Dodô, havia sido pego no antidoping. Pronto. O padre derrubou o líder e a casa botafoguense caiu.

Recordo-me das declarações de Vanderlei Cordeiro de Lima após o bronze em Atenas afirmando que não sabia se venceria aquela prova caso não tivesse sido atrapalhado. Mais do que humildade, ele mostrou realismo na análise. Primeiro porque sabia que não era favorito e que havia pelo menos cinco corredores com mais condições técnicas de vencer aquela prova, a começar pelo italiano que levou o ouro. Depois porque, mesmo antes de ser agarrado pelo padre irlandês, Vanderlei já via sua vantagem ser reduzida para os primeiros colocados.

Ocorreu o mesmo com o Botafogo.

Em termos de pontos, a vantagem alvinegra era boa. A questão é que o São Paulo começou meio devagar mesmo, ainda se recuperando dos traumas das eliminações na Taça Libertadores da América e no Campeonato Paulista. Já dava sinais de que entraria na briga quando a bomba do doping explodiu. Possivelmente não teria chegado tão rapidamente, mas nem o mais otimista dos alvinegros acreditava que ficaria tanto tempo na liderança sem ser incomodado. O São Paulo tem mais dinheiro, mais estrutura, mais elenco e, por isso, mais fôlego para setir menos o peso dessa maratona. Até os portões de General Severiano sabem isso de cor.

Nos cinco jogos sem Dodô, o Botafogo venceu dois, perdeu dois e empatou um. Em suma, não fez uma campanha tão ruim. O que impressiona é o aproveitamento até a décima rodada, momento em que a notícia catastrófica chegou a General Severiano. Eram sete vitórias e quatro empates (o Bota havia jogado 11 partidas devido à antecipação do confronto com o Vasco, pela rodada 12). Estava com cara de "coelho" e pinta de coelho. Ou cavalo-paraguaio, como gostam de dizer no meio futebolístico.

Pois Dodô foi absolvido e voltou a jogar. Retornou à pista justamente quando o Botafogo perdia toda a vantagem que tinha para os são-paulinos e tinha de passar o bastão da liderança pela primeira vez na competição.

Provavelmente a euforia que resvala numa certa soberba impeça os botafoguenses de uma análise fria como a que fez Vanderlei Cordeiro de Lima após ganhar o bronze nas Olimpíadas de Atenas. Eles podem até praguejar contra o tribunal que condenou seu artilheiro em primeira instância tal e qual o padre que se intrometeu na corrida dourada de nosso maratonista. Fato é que nem o mais otimista dos alvinegros acreditaria no fim de 2006 que estaria brigando pelo título e com chances reais de chegar entre os quatro primeiros para garantir vaga na Taça Libertadores da América. Nada mal uma medalha e um pódio para quem há pouco tempo se mostrava satisfeito em não flertar com a segunda divisão.