sábado, 10 de fevereiro de 2007

Mãos que libertam


De todas as fotos, a mais bela. Não pelo sorriso encantador ou pelas frases inteligentes. Bastou estar para ser. E como tocou.

Durante muito tempo trabalhei com crianças especiais. Ensinava um pouco de evangelização a elas. Hoje, meu pai segue no trabalho e eu, por absoluta falta de tempo, infelizmente tive de me afastar.

Meu insrumento de transformação sempre foi a música e a palavra. Outras vezes o desenho. De qualquer forma, o amor. E foi amor o que vi transbordar na foto mais especial dela. Impossível não me recordar de quando tocava acordes de luz e esperança àquelas pessoas.

Frágeis por fora, tesouros por dentro. Uma lição a cada encontro. Por isso, mãos que curam recebem luz na mesma proporção. Transbordam na alma a felicidade de transformarem vidas com um simples toque - singelo para nós, suficiente para eles.

Ela de branco é redundância, pois que sua alma já está clara quando age por profissão. Porque assim age por paixão e amor incondicionais. É uma alma especial que daqui em diante vai dedicar sua vida a cuidar de tantos outros especiais. Eu só posso ser feliz por conhecer, ainda que de longe, alguém assim.

E termino minha noite me lembrando dos dias em que letras curavam, palavras transformavam, e sonho com o dia em que tiver ao meu lado curadores de almas. Simples, transparentes, verdadeiros. Brancos como a roupa que usam por vezes. Sorridentes como lhes apraz seu principal instrumento de trabalho: a candura.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Santa Cruz Cabrália


Eça, Fernando, Gil, Pedro, Pero, José, Roberto, São, Cruz, Edmundo, ilusão.

Lágrima, pranto, esperança, angústia, paixão, devoção, dor, peneira, torcida, bandeira, caldeirão.

Vitória, derrota, história, conquista, destino, abismo, eu rico, eu pobre, eu junto, eu sempre, nós.

Laço, união, Brasil, Portugal, segunda, terça, sexta, sábado, sempre, sentido, sofrido.

Volta, entrega, alma, brio, desejo, caminho, vontade, amor, tradição, acerto, visão.

De Queiroz, Pessoa, Vicente, Álvares Cabral, Saramago, Dinamite, de Malta, passou, campeão.

sábado, 17 de setembro de 2005

Hora de agradecer


Definitivamente, não posso reclamar do que recebi de Deus nessa vida. Saúde, paz, uma família maravilhosa, amigos e 27 anos bem vividos.

Minha infância me traz recordações maravilhosas. Caminhar pelas ruas de terra descalço, jogar futebol no campinho careca de Maria Paula, em Niterói, foram alguns dos presentes que Papai do Céu me deu através de minha mãe. Uma pessoa de amor incondicional, carinho ímpar e cuidados constantes com o bem-estar dos filhos. Aliás, com o bem-estar de todos os que sempre estiveram a sua volta.

Ali, na simplicidade dos dias e noites, no contato com gente das mais variadas classes sociais, pude viver uma infância e uma adolescência plena. Que se completou já em Icaraí, mais perto da parte central de Niterói. Tive uma banda com um grupo de amigos. Ensaiávamos na sala de casa. Minha mãe soube alimentar o sonho enquanto percebeu que ele não atrapalharia minha vida. Um dia, conversou com firmeza e doçura. E me fez mudar de rumo.

Uma mudança que curiosamente me afastou fisicamente dela. Estudando para o vestibular, me mudei para o Rio, atendendo a um chamado antigo de meu pai, com quem, aliás, sempre minha mãe teve ótima relação – mesmo depois de separados.

Passei para Comunicação na UFRJ, onde vivi experiências únicas. Amigos inesquecíveis e minha primeira namorada. Primeira de verdade. O primeiro beijo, as primeiras dúvidas de um relacionamento. E como Deus foi generoso! Deu-me a chance de estar com alguém especial como Andreia. Uma namorada que me mostrou caminhos no sentido mais literal. Despertou em mim uma paixão que nem eu sabia que tinha: caminhar em trilhas e conhecer a natureza.

Um dia nos separamos. Foram três anos inesquecíveis, mas era a hora. Hoje, ela está feliz. E a cada dia que eu falo com ela me sinto ainda mais contente por vê-la tomado o melhor caminho na vida.

Dentre os muitos motivos do término, o procedimento cardíaco em abril de 2005 que me deixou numa mesa cirúrgica acordado por duas horas levando pequenos choques no coração. Não posso reclamar de nada. Pelo que os próprios médicos disseram, no teste de esteira que revelou a arritmia, tudo poderia ter terminado. Mas continuou, pela graça do Pai, que me permitiu seguir a vida. E como aprendi. Recebi o carinho de familiares de Minas, daqui, de amigos e da Andreia. Mas percebi como aquilo causava sofrimento para todos. A família é pra sempre, mas os amores vêm e vão. E, acima de tudo, merecem ser felizes. Eu sabia que um dia chegaria a minha hora de ser. E não podia prendê-la.

Terminamos em 2005, no dia do meu aniversário - 17 de dezembro. Curiosamente, dez anos antes, na mesma data, vivia um dos dias mais especiais de minha vida, curtindo o único título brasileiro do meu time do coração, o Botafogo. Foi sofrido e me doeu muito, sobretudo pelos pais e familiares dela, pessoas de um caráter e compreensão com o meu quadro clínico impressionantes.

Minha vida seguiu com Márcia, alguém de quem sempre vou levar as melhores recordações possíveis. Uma mulher experiente, 36 anos, doce e carinhosa. Aprendi muito com o senso de doação e responsabilidade da Marcinha. Nos juntamos um ano após nos conhecermos. Vivemos juntos em uma ilha na Barra, onde eu trabalhava. A Gigóia foi mais um dos muitos presentes de Deus pra esse filho que errou tanto na vida... Um lugar acolhedor pela tranqüilidade. Não entram veículos, não há violência... barulhos, só o do vento nas plantas e o dos pássaros cantando.

Fiz amigos, tive uma casa e uma companheira. Nem tudo deu certo, mas curti muito. Os vizinhos eram maravilhosos, vivíamos em comunidade – no sentido mais estreito da palavra. A ajuda mútua, os almoços comunitários... Márcia esteve em todos esses momentos. Mas as turbulências eram muitas, se somaram ao problema do coração e um dia ela se foi.

Mais uma vez, recebi o apoio da minha família. O que mais me surpreendeu foi o carinho com que a família dela me tratou. Não apenas no momento em que a Marcinha foi embora, mas durante os dois anos em que estivemos juntos. Acolheram a mim como um filho, um neto, um irmão, enfim, como sou grato a eles!

Profissionalmente não tenho nada do que reclamar. Estagiei em lugares maravilhosos como a revista Ciência Hoje e o Sportv, onde recebi minha formação verdadeiramente e aprendi a amar televisão. Nesse sentido, só tenho a agradecer a pessoas como o Marcelo Barreto, que não só me encaminhou lá dentro como entendeu quando minha saúde não permitiu minha continuidade. Barreto me apresentou ao pessoal do Globoesporte.com assim que voltei a trabalhar. Pouco depois, me mudaria pra Barra, em dezembro de 2006.

Como repórter dos Jogos Pan-Americanos, contratado pelo próprio comitê organizador, tive uma experiência única. Ao lado de uma equipe de voluntários incrível, fiz amigos e tirei lições pra vida a partir da experiência na Arena Multiuso do Rio de Janeiro.

Se aprendi a ser uma eterna criança com minha mãe, meu pai me incutiu ainda mais responsabilidade e o senso de caridade com ações como a distribuição de sopa aos moradores de rua. Também foi com ele que comecei as atividades no espiritismo, um meio de autoconhecimento e alívio para a dor nos momentos mais difíceis.

De volta ao Sportv em novembro de 2007, graças ao convite de outros dois grandes amigos, o Armando Freitas e o Luiz Franco – o Lufi -, tive a chance de retornar ao meu lar profissional. Depois fui contratado para fazer parte do Sportv News, sob a coordenação do Chafi Haddad, um dos melhores chefes que já tive na vida, pela compreensão, firmeza, serenidade e conhecimento. O Sportv foi a sexta casa da minha vida. Lá passei por momentos maravilhosos e alguns de apreensão. Foi onde a doença se manifestou de forma mais intensa.

Por falar nela, acho que é o momento de agradecer também aos profissionais que me deram apoio, como a Sônia, o Daniel, o Antônio, a Verônica e os doutores Sérgio e Marcos. Todos me ajudaram a aliviar o peso das crises e, quem diria!, em meio a isso tudo, ter morado sozinho, voltado a trabalhar e, acima de tudo, entender o que se passava com o meu corpo.

Já cheguei a crer que tudo não passava de um pesadelo, já imaginei que a batalha estava perdida, mas entre vitórias e derrotas ficou a certeza de que nada é por acaso. O aprendizado que tirei desse sofrimento me ajudou a crescer muito. É quando me volto a Deus e agradeço novamente por essa existência.

Todos me ajudaram muito a ter 27 anos da melhor vida que eu podia, tanto espiritual quanto materialmente falando. E agora, que começo a me recuperar, sinto que é o momento de agradecer. Obrigado Pai, Mãe, Ângela, Marcelo, Gabi, Bella, Juninho, Gabriel, Andreia, Márcia, Cristina, Marilene, Sérgio, Baptista, Maria Sena, Sérgio Thiesen, Greici, Luiz, Josué, Barreto, Armando, Lufi, Chafi, Mari, Serra, Isabel, Victor, Ana Paula, Néia, Dani e tantos amigos que eu fiz em casa, no trabalho e grupos espíritas que participei. Obrigado ao Diego por viabilizar o sonho de entrar na faculdade e ensinar. Obrigado, Jô, por estar me ajudando a buscar a felicidade e me fazer tão bem!

Obrigado também aos meus avós - valeu, vó, sei que a senhora está olhando por nós agora -, tios, primos e parentes emprestados, todos lá de Minas (BH, Oliveira e Carmo da Mata), minha madrinha Luci e meu padrinho Nemésio. Como foram importantes pra mim e como tenho que agradecer a Papai do Céu por eles existirem. Às inúmeras falanges espirituais que me acompanham ao longo de minha existência, em especial meu Anjo da Guarda. E, finalmente, a um amigo especial que me acompanhou nos melhores e piores momentos da minha vida. Valeu, Felipe! Você foi meu braço direito. Sou eternamente grato pela tua alegria, companheirismo e fé.

Nada é por acaso. O importante é fazer dos pequenos momentos grandes aprendizados. A eternidade se constroi na linha tênue entre o espaço palpável e o tempo intangível. Deus abençoe a todos nós. Agora e sempre.

sábado, 13 de novembro de 2004

O preço da dignidade

Vinte anos se passaram desde que um acordo de 13 supostos cavalheiros proclamou o Flamengo campeão brasileiro de 87. O tempo exato para que outra equipe igualasse o feito rubro-negro, também conquistasse seu quinto título e transformasse em isopor uma conquista inquestionável até então.

Honestidade e lealdade não são exatamente palavras caras ao mundo do futebol. Não é preciso ir muito longe para se constatar isso. Quando o Brasil perdeu a Copa de 98, se prometeu uma devassa nas contas da CBF, uma caça às bruxas do mundo da bola como nunca se havia visto antes. Pois não foi preciso mais do que um ano para que o surto de moralidade se transformasse em pizza, quando os dirigentes perceberam que o relatório de Aldo Rebelo e Silvio Torres podia acabar sobrando para muita 'gente boa'.

Um ano depois, o Botafogo foi surrado no Morumbi pelo São Paulo - 6 a 1 - e, não satisfeito com o destino que o rebaixaria, arquitetou uma manobra nos porões do Superior Tribunal de Justiça Desportiva, anulando o resultado daquela partida e garantindo assim sua permanência na primeira divisão. No mesmo ano, o Fluminense assegurava em campo o acesso à Série B, campeonato que o tricolor carioca jamais disputaria, ao ser levado diretamente à divisão de elite do futebol brasileiro.

As histórias de viradas de mesa são incontáveis no único país pentacampeão mundial e deveriam ser suficientes para ensinar às agremiações a não confiarem umas nas outras. Por 20 anos, o Flamengo acreditou que seu título de um campeonato não-oficial, chancelado apenas por eles, clubes, jamais seria posto em xeque. 2007 está aí para provar que os rubro-negros estavam errados.

Na verdade, estavam certos, afinal, mais do que no mundo real, no futebol brasileiro o planeta é dos espertos. Esperteza que garantiu às entidades contratos eficientes com as TVs e patrocinadores no ano de 1987 assim que perceberam o óbvio: poderiam lucrar mais sem a chancela da CBF. Mas, ao contrário do que ocorreria na Inglaterra cinco anos depois, Ricardo Teixeira sabia que os clubes não seriam leais o bastante para se auto-sustentarem. A mentalidade dos dirigentes tupiniquins não suporta perder no curto prazo para ganhar adiante. Por isso, no ano seguinte, todos fingiram que nada havia acontecido e tocaram o Brasileirão com o aval da CBF e o mesmo batismo infeliz: Copa União.

O Flamengo é o boi-de-piranha dessa história toda. Paga a falta de coragem dos 13 clubes mais importantes do país, que não romperam no tempo devido com a entidade controladora do futebol brasileiro. Agora, não adianta chorar a festa alheia. Dissimuladamente - o que em nada surpreende a ética da bola brasilis -, o tricolor paulista se auto-proclama único pentacampeão brasileiro, enquanto a Gávea se afoga num ressentimento de quem entre os grandes é o primeiro, mas preferiu o caminho das alianças de momento e do lucro fácil.

Assim, a tal taça de bolinhas só vai existir na imaginação dos rubro-negros, que terão para sempre contra si a a indiferença conveniente de seus parceiros e frieza dos números. Os mesmos números que apóiam o ilícito - porém leal - jogo do bicho. Por lá, diz-se que vale o escrito. E, como típica jogadora, que sabe de cor e salteado essa máxima, a diretoria do Flamengo não precisa enganar uma nação de apaixonados com falsas esperanças de dignidade histórica.

terça-feira, 9 de novembro de 2004

Dilemas tricolores

São Paulo e Fluminense estão classificados para a Libertadores da América 2008 e podem assistir de camarote à briga pelas três vagas restantes para o torneio continental. Mas a tabela permite que os tricolores façam mais do que isso e Muricy Ramalho já disse: vai com o time tilular para a "decisão" contra o Grêmio, no Morumbi. Decisão? Exatamente.

Para o técnico são-paulino, vencer o time gaúcho no próximo fim-de-semana é eliminar um futuro concorrente ao título de melhor das Américas. Rogério Ceni faz coro e afirma o que não se pode dar sopa a um time "copeiro", acostumado a torneios de tiro curto, ou o destino do clube mais bem-estruturado do país pode ser uma nova eliminação frente ao tricolor dos pampas.



Com o Fluminense, o raciocínio é o mesmo. Vai a São Paulo na próxima rodada com a chance clara e manifesta de complicar de vez a vida do Palmeiras. O Palestra Itália vai virar uma panela de pressão, porque o sempre quente sangue italiano não vai tolerar novo insucesso após derrotas inesperadas para Juventude e Sport. Na última rodada, as vezes de estraga-prazeres será contra o Santos, na Vila Belmiro. Como a tabela não é lá muito amena para o Peixe - pega Flamengo no Rio e Paraná em Curitiba -, periga o tricolor carioca deixar na baixada santista um gosto muito amargo de decepção.

Curioso como o futebol apronta para os eternos rivais. Prejudicar o Grêmio, para o campeão São Paulo, é ajudar Palmeiras e Santos a chegar à competição continental. Do mesmo modo, atrapalhar a vida de palestrinos e santistas, pode significar para o Flu entregar a vaga ao Flamengo. E por falar em inimigos venais, o que dizer dos colorados, que, se vencerem Palmeiras e Cruzeiro, justamente pavimentam o caminho do Grêmio para o principal torneio das Américas.

É, no mínimo, curioso que, por caprichos dos deuses da bola, equipes sem pretensão aparente dêem um tempero especial à reta final do Brasileirão. Anfitriões com entrada vip que poderão se gabar de dizer que, no finzinho das contas, escolheram a dedo quem os acompanharia na seleta festa da Libertadores da América.

terça-feira, 2 de novembro de 2004

Vendo asterisco 87 - único dono


Talvez pela obviedade anunciada, o pentacampeonato brasileiro do São Paulo está rendendo menos do que a discussão da exclusividade desses cinco títulos. A razão é simples: um dos canecos nacionais levantados pelo Flamengo não teve a chancela da CBF. Portanto, oficialmente, o tricolor do Morumbi pode se auto-proclamar único pentacampeão da história.

Pior do que ver os são-paulinos não enxergarem o óbvio (o Fla foi o legítimo campeão nacional de 87, já que venceu o campeonato disputado entre as melhores equipes do país), é perceber o desespero dos flamenguistas desfiando um rosário de argumentos em prol de suas cinco conquistas. Soa como uma briga infantil para saber quem tem o melhor brinquedo.

Sport e Guarani venceram um dos módulos daquele campeonato, organizado parte pela CBF, parte pelo Clube dos 13. Depois de 5 rodadas disputadas da Copa União - o torneio dos times de elite -, a entidade máxima do futebol brasileiro decidiu arbitrariamente mudar as regras do jogo e determinar que os finalistas enfrentassem os dois primeiros do "campeonato dos pobres" organizado por ela. E quem disse que os clubes concordaram? Simplesmente tocaram o campeonato organizado por eles próprios e proclamaram, em consenso, o Flamengo campeão de 1987. Insatisfeita, a CBF outorgou o Sport campeão e deu-lhe o direito de disputar a Taça Libertadores do ano seguinte.

Curioso que esse assunto foi sepultado pela própria entidade. Embora não reconhecendo o título rubro-negro, ela permitiu que o torneio de 1988 fosse também organizado pelos grandes clubes, inclusive com o mesmo nome: Copa União. E para qualquer um que acompanhou ou disputou aquele campeonato - inclusive adversários viscerais do Fla como Eurico Miranda, presidente do Vasco - o título foi incontestável. Uma passada rápida na súmula do jogo decisivo não deixa dúvidas: se enfrentaram duas das maiores equipes do futebol brasileiro na ocasião. De um lado Zico, Leandro, Jorginho, Bebeto, Andrade, Zinho e Renato Gaúcho. Do outro, jogadores como Taffarel e Paulo Roberto. Um espetáculo para 91.034 pagantes. É gente demais para ser enganada junta e de corpo presente.

Do mesmo modo, o Uruguai se proclama tetracampeão mundial, já que venceu as Olimpíadas de 24 e 28, quando ainda não existia Copa do Mundo. Argumento semelhante invoca o Fluminense, que reivindica o título de Campeão Brasileiro de 1970 e o Palmeiras, que ganhou um torneio internacional em 1951, em uma época que não existia Mundial Interclubes. As reivindicações são legítimas em boa parte dos casos. Se as equipes foram popularmente aclamadas como tais na época, não reconhecê-las assim é um ato de, no mínimo, descaso histórico. Surpreende é ver a mesma imprensa que cobriu os acontecimentos da época jogar querosene em fogo de palha. Pra que se esforçar tanto para ressucitar argumentos quando os fatos falam por si?

Talvez o que mais incomode os flamenguistas seja ver o título de 87 sempre pontuado por um asterisco, a apontar algo por esclarecer naquela conquista. Em um assunto polêmico e indigesto que jamais se esgotará em poucos parágrafos ou um punhado de minutos, os rubro-negros precisam ter a maturidade de se calar na certeza de que os fatos jogam a favor. É a chave para sepultar esse tipo de discussão que não deveria ir além das portas dos botequins.

segunda-feira, 25 de outubro de 2004

Matou o carro e foi pra boate


A reação dos candidatos ao título de campeão mundial após o GP Brasil de Fórmula 1 não deixa dúvidas: foi muito fácil para o homem lá de cima decidir de quem seria o troféu de 2007.

Fernando Alonso mostrou assombrosa frieza ao lamentar a perda do título em Interlagos. Parecia que não estava lá se importando tanto e, antes que alguém venha justificar a atitude na experiência de um bicampeão, a resposta eufórica de seus compatriotas em Oviedo mata a charada: o espanhol gargalhou por dentro de ver o campeonato escorrer entre os dedos do companheiro (?) Hamilton.

Pois Lewis, que desperdiçou o título com 7 pontos de vantagem sobre o adversário campeão e 4 sobre o desafeto Alonso, esse sim já deve estar numa crise sem tamanho, certo? Que nada. Depois de ele próprio confessar com absoluta tranqüilidade e as imagens confirmarem que apertara acidentalmente o botão de ponto morto de seu McLaren, foi filmado em uma boate de São Paulo. Na festa (?) oferecida pela equipe inglesa, devia estar contente por curtir as brasileiras e saborear o fracasso de Alonso - se eu não pude, ao menos o bicampeão não conseguiu...

Enquanto isso, bem longe dali, o improvável campeão Raikkonen confessa: é tanta felicidade que quase dói. E não podia ser diferente. Depois de amargar dois vice-campeonatos e ameaçar seriamente o reinado de Rubens Barrichello como o piloto mais azarado da Fórmula 1, Kimi recebeu, com juros e correção, o título que seu passado clamava.

Se Ron Dennis viu o título de sua equipe se transformar em pizza numa interminável sucessão de confusões entre seus subordinados - incluindo as estrelas da companhia -, a Ferrari parece ter aprendido a jogar em equipe sem constranger pilotos, espectadores nem jornalistas. Deixou que Massa e Raikkonen duelassem ao longo da temporada e, com precisão e lealdade britânicas, estabeleceu a prioridade ao finlandês.

A lição, aprendida pela Williams de Mansell e Piquet na década de 80 - quando entregaram um título líquido e certo de mão beijada para Prost -, tem sabor amargo apenas para Ron. Com lágrimas nos olhos, o único personagem realmente desapontado nessa história toda percebe que, justamente na Fórmula 1 das super-máquinas, não pode mais ter dois primeiros pilotos num mesmo time.

sábado, 23 de outubro de 2004

Há vagas

O Brasileirão chega à reta final. Daqui para frente, serão 6 rodadas com cara de decisão, sempre com jogos entre times de estados diferentes. Cada uma das 20 equipes vai jogar 3 vezes em casa e 3 fora. O título, todos já sabem, tem dono: o São Paulo. Isso não significa que muita coisa não estará em jogo. Vamos conferir:

Título
São Paulo
Não é impossível que o São Paulo já comemore seu título na semana que vem. Basta que o Cruzeiro não vença em casa o Atlético Paranaense e que o Vasco, em casa e de técnico novo, derrote o vice-líder Palmeiras. Bom, essa é a primeira parte, talvez a menos difícil. O problema é o próprio São Paulo superar o Sport, ameaçado de rebaixamento e lutando pela Sul-Americana, na Ilha do Retiro lotada. Se isso não for possível, a festa fica para o Morumbi, contra o América de Natal, já rebaixado. Os jogadores preferem assim e a vontade deles - e de milhões de são-paulinos - deve se cumprir daqui a duas semanas.

Libertadores
Fluminense
Campeão da Copa do Brasil, garantiu vaga e vai assistir de camarote à briga pelas primeiras posições e contra o rebaixamento. Pode ser o fiel da balança ao tirar pontos dessas equipes.

Palmeiras
Só perde a vaga se vacilar em casa. Precisa somar 8 pontos em 18 disputados, ir aos 62 e comemorar. Dos pretendentes às 3 vagas restantes, está em melhor situação. Basta vencer o já rebaixado Juventude, o classificado para a Libertadores Fluminense e o Atlético Mineiro - até a última rodada provavelmente livre do rebaixamento -, tudo no Parque Antárctica. Se quiser triunfar fora, vai precisar bater Vasco, Sport ou Internacional.

Cruzeiro
Desde que derrotou o Vasco, no dia 23 de setembro, não sabe o que é sair vitorioso. São 2 pontos em 15 disputados, um mês sem conhecer uma vitória sequer e, convenhamos, não tem hora pior para uma queda de rendimento do que as rodadas decisivas. Mesmo se analisarmos a tabela friamente, a tarefa celeste não é das mais fáceis: Precisa somar 9 pontos (3 vitórias) nos 6 jogos restantes. Enfrenta em casa Atlético Paranaense e América de Natal. Até aí, tudo bem. O problema são os 3 pontinhos que faltarão. Tem de ganhar do Flamengo - que não pode se dar ao luxo de perder mais pontos - e, se quiser buscar fora de casa, precisará passar por Botafogo, Internacional ou Sport.

Santos
Precisa somar 10 pontos (3 vitórias e 1 empate) em 18 disputados. Se mantiver o desempenho excelente em casa (não perde desde 28 de julho), passa por Goiás, Atlético Mineiro e Fluminense. Para arrumar o pontinho que falta, a receita é derrotar fora de casa o até lá rebaixado Paraná, porque se depender de vencer Flamengo ou Náutico, a coisa pode complicar...

Grêmio
Faltam 11 pontos (3 vitórias e 2 empates) para brigar novamente na principal competição das Américas. Tem uma tarefa muito dura para tirar o Flamengo do encalço e confirmar a vaga. Primeiro, porque, mesmo em casa, enfrenta duas equipes desesperadas para não cair: Corinthians e Náutico. Mesmo que vença o Figueira no Olímpico e o América em Natal, vai precisar buscar pontos importantes fora. E logo contra quem? Atlético Paranaense, que ainda não perdeu em casa no segundo turno, e São Paulo - nem precisa dizer.

Flamengo
A tradição de "time de chegada" é conhecida de outros carnavais, mas não vai ser fácil dobrar a lógica e conquistar 13 pontos em 18 disputados (72,2% de aproveitamento, sendo que o São Paulo tem 71,2%), ou seja, fazer campanha de time campeão. Serão 3 jogos em casa sem chance para derrota: Corinthians, Santos e Atlético Paranaense, além do rebaixado América em Natal. Difícil será tirar ponto do Cruzeiro, no Mineirão, ou do Náutico, nos Aflitos. Mas todo esse cálculo pode ir para o ralo se a perda de mando de campo se cumprir para os rubro-negros, após um copo ter sido atirado em campo na partida contra o Grêmio.

Rebaixamento
Internacional
Precisa apenas de 4 pontos em 18 disputados para não ser rebaixado. Chances não faltarão para o Inter cumprir esse objetivo inglório, embora os adversários sejam duros. Palmeiras e Cruzeiro podem complicar no Beira Rio, mas, diante do Sport, os 3 pontos devem vir sem tanta dificuldade. Fora de casa, pode roubar mais um pontinho do praticamente rebaixado Paraná, do Vasco ou do desesperado Goiás.

Vasco da Gama

Apenas 5 pontos separam o Vasco da permanência da primeira divisão. A tabela favorece os cruzmaltinos, que, embora enfrentem o motivado Palmeiras e o ameaçado Internacional em São Januário, podem se garantir vencendo o desinteressado Figueirense em Floripa e o quase rebaixado Paraná em Sâo Januário. Se não somar esses pontos, vai precisar tirar coelhos da cartola contra o desesperado Corinthians no Pacaembu ou o igualmente ameaçado Goiás, no Serra Dourada.

Atlético Mineiro
Dentre os ameaçados de rebaixamento, é o que tem a tabela mais a favor. Também precisando de 5 pontos em 18 disputados, pega o quase rebaixado Paraná e o moribundo Juventude do Mineirão. Vencer os dois jogos garante o Galo. Outra chance em casa será contra o Goiás. Se tropeçar em Minas, pode arrancar pontos do despertensioso Fluminense no Maracanã, para não ter de vencer Santos ou Palmeiras também fora de casa.

Náutico
A reação impressionante do segundo turno deixou o Timbu em pé de igualdade com os rivais na briga contra o rebaixamento. Só que agora começa um novo campeonato para os pernambucanos. Eles precisam de 5 pontos (1 vitória e 2 empates), que podem vir contra América de Natal, Santos ou Flamengo em casa. Se não der, podem tentar se salvar fora contra Grêmio, Fluminense ou Figueirense, ou seja, terão a tabela a seu favor. Difícil vai ser controlar a ansiedade.

Sport
A equipe pernambucana precisa apenas de 5 pontos em 6 jogos para chegar aos 48 e escapar do rebaixamento, mas a tabela é inglória com os rubro-negros. Enfrentam Sâo Paulo, Palmeiras e Cruzeiro em casa, todos com muito em jogo na competição. Fora, enfrenta o Atlético Paranaense, que ainda não perdeu em casa no segundo turno, e o Internacional, que dificilmente deixa pontos escapar no Beira Rio. Vencer apenas o rebaixado Juventude, em Caxias do Sul, na última rodada, pode não ser suficiente.

Goiás
Mesmo com 41 pontos e precisando de 7 para se salvar, a equipe goiana tem um trunfo: o número de vitórias. Como empatou pouco no campeonato, levará vantagem sobre um concorrente que terminar com o mesmo número de pontos do que ele. Mas a tarefa não será fácil. Vai precisar encontrar 2 vitórias e 1 empate contra Vasco e Internacional em casa ou Santos, Paraná e Atlético Mineiro fora. A partida contra o Corinthians, no Serra Dourada, é decisiva. Se vencer, praticamente elimina o concorrente direto e se garante na primeira.

Corinthians
Tem uma situação muito delicada, pois não depende apenas de si próprio. Tem de vencer 3 jogos e empatar 1 nos 6 que faltam, desde que não perca para o Goiás fora de casa. Além desta partida, vai precisar buscar pontos contra os despretensiosos Figueirense, Atlético Paranaense e Vasco, tudo em casa. Outra opção será vencer Flamengo ou Grêmio, fora.

Paraná
Tem de somar 14 pontos em 18, ou seja, cada jogo é uma decisão para os paranistas. Em casa, enfrenta Inter, Goiás e Santos. Fora, encara Atlético Mineiro, Botafogo e Vasco. Dificilmente escapa da degola.

Juventude
Só um milagre associado a improváveis combinações de resultados livram os gaúchos do rebaixamento. Para começar, precisa vencer os 6 jogos restantes: Botafogo, São Paulo e Sport, em casa, e Palmeiras, Atlético Mineiro e Fluminense fora.

América de Natal
Embora já esteja rebaixado, pode ser o estraga-prazeres se tirar pontos de quem luta pela Libertadores ou para fugir do rebaixamento. Jogar sem responsabilidade pode ser um ponto a favor do time potiguar.

Sul-americana
Figueirense
Precisa de 8 pontos em 18 para chegar aos 53 e garantir vaga na competição. Fluminense, Vasco e Náutico são os adversários em casa. Se não fizer a obrigação em Floripa, poderá buscar pontos contra Cornthians, Grêmio ou Botafogo. Dificilmente fica de fora.

Botafogo

Situação idêntica à do Figueira. Em casa, enfrenta Cruzeiro, Paraná e Figueirense. Fora, pega Juventude, América de Natal e Figueirense. A julgar o péssimo segundo turno da equipe, pode deixar escapar até mesmo essa vaga na Sul-Americana.

Atlético Paranaense
Assim como Botafogo e Figueirense, precisa de 8 pontos. Joga em casa contra Grêmio, Sport e Sâo Paulo. Fora, encara Cruzeiro, Corinthians e Flamengo. A tabela não ajuda, mas, se mantiver o ótimo desempenho na Arena da Baixada no segundo turno, deverá ficar com uma vaga. Os outros times na competição serão dois dos cinco que fracassarem na briga pela Libertadores e duas ou três equipes que hoje estão ameaçadas de rebaixamento, além do virtual campeão Sâo Paulo.

segunda-feira, 18 de outubro de 2004

Goleada da democracia


Não foi apenas a seleção brasileira que ganhou um presente dos mais de 80 mil torcedores presentes ao Maracanã para Brasil 5x0 Equador. O futebol maduro, responsável e, acima de tudo, democrático, agradece a uma torcida tão plural em seus manifestos. Por isso Pelé, rei com a bola nos pés, mas simples mortal com palavras na boca, escorregou ao criticar o comportamento dos brasileiros no maior estádio do país.

Vaia nasceu para criticar, jamais para ser criticada. As vozes uníssonas que tão cedo repreenderam o futebol enfadonho da seleção de Dunga clamavam o valor de cada centavo investido naquele espetáculo. Uma seleção que, em campo, não conseguia ser brilhante o suficiente para justificar todo o prestígio que a cerca não era capaz de superar o bloqueio imposto pelos equatorianos. Isso quando eram jogados apenas 20 minutos do primeiro tempo. Bastou para os atletas brasileiros despertarem do transe provocado pela própria torcida, ao proporcionar um espetáculo paralisante, jamais visto in loco por 10 dos 11 jogadores.

Foi instintivo. Infantil mesmo. E ninguém conseguiu disfarçar. As lágrimas nos olhos de Júlio César durante o hino nacional, as pernas pesadas de Ronaldinho a errar passes óbvios, o olhar tenso de Dunga, a alegria menina de Robinho e Kaká, sabedores do dever cumprido - antes tarde do que nunca. Cada qual ao seu modo expressou sua pequenez diante da história do maior do mundo. Com a torcida não foi diferente.

Como lembrou no intervalo Fernanda Montenegro, presente à histórica partida em que mais de 100 mil vozes vaiaram uníssonas a entrada de Julinho Botelho no lugar de Garrincha, isso lá pelos anos 60. Pois Julinho, único personagem de quem hoje Fernanda se recorda, fez questão de dizer que ele sim tinha razão, ao ter sido escolhido. O tempo mostrou quem estava certo.

O tempo da superproteção institucional ao astros da seleção foi sepultado com o quinto lugar na Copa da Alemanha. Agora, os poderes são divididos. Dunga comanda, mas não manda. Jorginho auxilia, mas não expõe ninguém a esmo. Quem treina bem joga e quem vai mal em seu clube assiste de casa.

Nada mais saudável então do que o intempestivo termômetro do torcedor. Sempre disposto a vaiar muito quando as coisas vão mal e aplaudir de pé o bom espetáculo, ele é o fiel da balança dessa estrutura horizontal de honestidade de princípios sobre a qual nossa seleção desfila às portas da Copa de 2010. A caminho da África do Sul, torcedores e jogadores celebram em um só coro o fim do apartheid multi-estrelar na seleção brasileira de futebol. E se orgulham de serem brasileiros com muito amor e muita crítica - como apraz a qualquer bom casamento.

domingo, 3 de outubro de 2004

Um sonho ao alcance













Diria o pessimista que sonhar com uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada no Brasil é perda de tempo. Realizar ambos os eventos em um intervalo de dois anos, então, seria possibilidade quase nula até para o mais fantasioso otimista. Mas com base em fatos, e boas justificativas, o Brasil se vê, hoje, com boas chances de receber a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

O caderno de encargos para a realização da Copa já foi entregue à Fifa. O país segue no pleito como candidato único. Consistente, o projeto brasileiro conta com as garantias governamentais firmadas pelo presidente Lula, além de estar voltado para a captação de recursos financeiros do setor privado – diferentemente do projeto do Pan, que foi quase todo bancado pelos cofres públicos.

No dia 30 de outubro, a Fifa confirma ou não o Brasil como sede da Copa-2014. As chances de ouvir o “sim” da entidade são do tamanho do sonho de receber novamente, depois da Copa de 50, o evento maior do futebol. Enquanto a Copa parece uma conquista mais palpável, o objetivo de sediar uma Olimpíada está um pouco mais distante. Ainda assim, a ambição do Comitê Olímpico Brasileiro é realista e, sobretudo, realizável.

Há um longo caminho a ser percorrido até a data em que o COI anunciará a cidade-sede das Olimpíadas de 2016, em outubro de 2009. Sediar um evento olímpico requer estrutura e planejamento muito mais consistentes que a organização de um Pan-Americano.

A postulação do Rio de Janeiro à sede olímpica surge em um momento favorável. O sucesso do Pan, e o ganho em infra-estrutura esportiva proporcionado pelo evento, credenciam a cidade como forte candidata a receber os Jogos Olímpicos em 2016. Os governos federal, estadual e municipal também já deram garantias e apoio à candidatura do Rio. Sem contar esses fatores positivos a favor da cidade, o próprio COI já admitiu o desejo em levar uma Olimpíada até a América do Sul.

Para isso, a entidade afirma que a América do Sul precisa “atrair” os Jogos. Cada vez mais consolidada como uma cidade global, especializada em receber grandes eventos, o Rio de Janeiro tem tudo para concretizar essa atração.

A história, ainda, faz questão de contradizer quem não acredita na possibilidade de o Brasil sediar dois megaeventos em um curto espaço de tempo – 2014 e 2016. Em 1970, o México recebeu a Copa do Mundo, sendo que, dois anos antes, havia recebido também os Jogos Olímpicos.

Mas o Brasil pode trilhar o mesmo caminho percorrido pelos Estados Unidos na década de 90. Em 1994, os norte-americanos sediaram a Copa e, dois anos mais tarde, a cidade de Atlanta foi sede da Olimpíada. Em 1987, os Estados Unidos haviam organizado os Jogos Pan-Americanos, na cidade de Indianápolis. Após sete e nove anos, respectivamente, o país recebeu a Copa de 94 e as Olimpíadas-96. Coincidentemente, essas são as mesmas distâncias de tempo que separam o Pan do Rio de Janeiro, realizado este ano, da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Não dá para comparar as condições financeiras e estruturais de Estados Unidos e Brasil. No entanto, até 2014, o país tem tempo suficiente para traçar planejamentos sólidos e menos dependentes do dinheiro público para receber dois megaeventos esportivos. Ocasião e história conspiram a favor do Brasil. Portanto, daqui pra frente, sonhar alto faz parte das regras do jogo.

[Só como base de comparação: www.chicago2016.org, este é o site oficial da candidatura de Chicago, que, ao lado do Rio de Janeiro, já desponta como favorita para sediar as Olimpíadas 2016. Em uma rápida passagem pelo site, dá pra ver que a cidade tem pouquíssimas instalações prontas. Quase tudo não passa de projeções. E o projeto, a princípio, é bem parecido com o modelo aplicado no Rio para o Pan. A briga promete ser boa entre as duas cidades.]