Cativar para libertar

Quem não sonha ou já sonhou ter um filho? Eu quero muito ter um, se Deus assim me permitir. Mas confesso não fazer questão de que seja biologicamente meu.
Somos livres para pensar, sonhar, querer, concordar, discordar e, acima de tudo, viver dignamente segundo os desejos de nosso espírito plenamente expresso e livre de preconceitos

Quem não sonha ou já sonhou ter um filho? Eu quero muito ter um, se Deus assim me permitir. Mas confesso não fazer questão de que seja biologicamente meu.
Postado por
Rafa Barros
às
23:49
0
comentários
Há uma teoria popular segundo a qual uma paixão não dura mais do que 2 anos. Talvez tenham exagerado no tempo.
Primeiro porque as paixões são mais comuns do que arroz-e-feijão em nossa culinária e, assim como a nossa dobradinha preferida, quando apetitosos, não demoram quinze minutos para serem devorados.
Nos encantamos com a mesma facilidade com que perdemos o interesse pelas coisas. Definitivamente, nossa sociedade vive tomada por um epicurismo doentio, que subverte o tempo natural das relações e relega às pessoas o mero papel de objetos de desejo.
Não vai obviamente uma conotação sexual na observação, embora se saiba que ela exista em muitos casos. O objeto de desejo pode ser, por exemplo, uma promoção no trabalho ou a ânsia por vantagem em determinado empreendimento.

Desnecessário recorrer a Marx, Hobbsbaum, Bourdieu ou Bauman. Sem entrarmos em ideologias de governo, está na cara que há um fundo econômico no consumismo social, afinal a mesma raiz que produz o dinheiro problematiza a riqueza.
Em certo momento de nossa existência histórica coletiva, criamos uma moeda de troca para comercializar nossos produtos. Ao fazer isso, acabamos conferindo valores aos artigos à nossa volta, fossem eles materiais ou não. Se o dinheiro compra uma casa, sua acumulação projeta o status social, sutil armadilha de corrosão do caráter e da pragmatização das relações.
O assunto vem ocupando as tribunas sociológicas, antropológicas e políticas há muito tempo, mas agora as pessoas começam a deter especial atenção sobre essa corrosão de caráter e essa fluidez perniciosa nas relações. Afinal, começam a ser, ao mesmo tempo, agentes e pacientes de sua própria morte através do sistema em que estão inseridas. Em outros tempos não era assim.
Se um país declarava guerra a outro, se sabia de antemão quem era o inimigo a ser combatido. O medo poderia ser projetado para fora e por antecipação como uma forma de defesa. Os mais cautelosos chamariam isso de planejamento. Outros diriam frieza ou racionalidade. Então, não é de se estranhar que a genealogia moral européia tenha forjado cidadãos tão frios ao longo dos séculos e a racionalidade científica tenha ganhado status de bula episcopal.
O problema é que perdemos o agressor externo a nos perturbar. Melhor, não perdemos. Perdemos foi a capacidade de detectar a ameaça como tal. A preocupação excessiva com a doença e a crença absoluta no antídoto nos retiraram da reflexão sobre a causa dos males. É emblemático, nesse sentido, que se morra de câncer e de infarto, e não de varíola ou febre espanhola.
Há muito os sábios orientais profetizavam que a saúde é um estado permanente de equilíbrio. Muito mais o resultado de um projeto de vida coerente com a auto-sustentabilidade - outros diriam, a microecologia - do que a antítese da doença. Hoje, só nos preocupamos com saúde quando estamos doentes. Se estamos mal, queremos ficar sãos, mas raramente vivemos de maneira saudável.
Não há droga mais tóxica do que a alienação espontânea. Ela é engendrada, consumida e expurgada por nós mesmos. Sem a auto-consciência acerca de nossas limitações e possibilidades, fabricamos, a um só tempo, nosso veneno e nosso antídoto. O problema é que uma hora o corpo não agüenta essa montanha-russa de sensações. Os mais sortudos só ficam doentes. Há quem não suporte e entre em colapso mental ou físico.
Quem consome maconha, cocaína, ecstasy ou LSD está apenas na ponta do iceberg humano. Muito provavelmente do lado de fora do mar, suicidamente visível ao preconceito alheio, embora suplicando tresloucadamente por ajuda sem dizer uma palavra. A maioria, entretanto, sustenta a grande camada de gelo invisível. O sistema é a cor branca, a nos incutir resignação de que uma pedra de gelo, ora bolas!, uma pedra de gelo só pode ser assim mesmo: branca.
Branca como o disco de Newton, ao reunir ilusoriamente todas as cores. O mundo elimina fronteiras e suspende a dissensão. Reprime com seus aparelhos invisíveis ou referendados as diversidades, ao reconhecer uma espécie de pluralidade ahistórica. Não há problema em se ser diferente, desde que igual perante a lei do consumo e a égide do capital. Os fins não só justificam os meios, mas suspendem o meio da história. Antes, nos detínhamos no processo. Hoje, basta o resultado.
Assim, repousamos tranqüilamente nossas cabeças sobre o travesseiro de nossa consciência dia após dia, sem ao menos desconfiarmos que, homeopaticamente, estamos submersos em um sistema ontologicamente fatal e historicamente insolúvel.
Postado por
Rafa Barros
às
16:51
1 comentários
Dos três lemas da Revolução Francesa, a fraternidade é a mais esquecida pelos cantos. Relegada a um segundo plano social, em grande parte das vezes só encontra eco nos salões ocultos da religião ou como um expurgo do sentimento de culpa humana no trato para com seu semelhante.

Postado por
Rafa Barros
às
10:49
0
comentários
Por favor, não se incomode se invadi sua página, se entrei léguas em sua intimidade. É que o mundo do faz-de-conta estava ficando muito chato. Por isso escolhi seguir contigo.
É apenas uma tentativa, vá lá. E nem pense que é grande coisa tirar o bilhete premiado, afinal esse cupido está mais para saci-pererê. Melhor assim, afinal, de heróis e bandidos já bastam os que nos vendem diariamente. E, se minha vida não é história em quadrinho nem roteiro de ficção, fiquemos com a boa e velha autenticidade.
Por isso, quero um amor de vaga-lume, que se acenda no lampejo instantâneo de uma noite qualquer. Não precisa ser como o sol, a saturar o brilho das coisas pequenas, nem a lua, cheia de promessas enamoradas a cumprir. Basta um brilho de um quarto-de-segundo que dure por uma eternidade em nossas retinas.
Teu amor deve tocar meus olhos, mas não apenas. Precisa dizer à minha íris que cor tem tua alma. E isso não se prova com frases feitas ou presentes pré-fabricados. Quem sabe um olhar pousado, mas sincero, daqueles dias em que até o mar pára para contemplar as gaivotas.
Flores, quem sabe? Contanto que de seu próprio jardim, colhidas com o perfume de teu suor e ofertadas com tuas mãos marcadas de vida. Vida. É disso que precisam nossas quase-vidas. Menos máquina e mais homem. Menos pegar e mais sentir. Menos ficar e mais curtir. E que importa se se vai? Ou há algo mais belo neste mundo do que a impermanência?
Assim, nosso amor será como o fogo, a se apagar a cada brisa noturna e se acender à primeira centelha de sol da manhã. Chama eterna que só dura para sempre porque se apaga a cada dia.
Por isso te peço: por favor, aceite este amor torto, inconstante, impuro, mas único, humano.
Postado por
Rafa Barros
às
09:54
2
comentários

Depois de buscar duas bolas difíceis que vieram em minha direção, resolvi me atirar ao encontro da terceira. A saída rápida nos pés do atacante foi corajosa, embora dolorosa. Dor que não senti no calor da partida. Até aquele momento, meus olhos, boca, nariz, ouvido e mãos estavam única e exclusivamente voltados para meu coração. Um movimento, várias batidas. Todas registradas. Mas, daquela vez, não me permiti o susto com o próprio corpo.
Postado por
Rafa Barros
às
01:48
2
comentários
Postado por
Rafa Barros
às
09:48
1 comentários

O aniversário foi do Clóvis, grande amigo das jornadas noturnas no Sportv. Mas houve mais de um presenteado na tarde de hoje, 29 de novembro de 2008.
Postado por
Rafa Barros
às
22:02
3
comentários

Seu olhar cansado aponta para o nada. Sentada na cadeira de balanço de frente para a pequena televisão, contempla o vazio, no fundo a extensão de sua alma.
Postado por
Rafa Barros
às
01:09
0
comentários

Príncipe encantado num cavalo branco. Tudo com o que ela sonhou durante anos. Mas o que a encantou nessa história?
Postado por
Rafa Barros
às
23:47
2
comentários

Massa demais essa corrida em Interlagos. De cara, David encerra sua longa carreira de forma Coulthard: encontrando um Piquete no S do Senna. Enquanto isso Felipe guia seu deus-nos-acuda vermelho procurando apostar em algo mais que o chove-não-molha das previsões óbvias.
Postado por
Rafa Barros
às
00:15
1 comentários