A beleza do teu léxico
Quando nossas línguas se encontram, não é preciso um dicionário para compreendê-las.
Somos livres para pensar, sonhar, querer, concordar, discordar e, acima de tudo, viver dignamente segundo os desejos de nosso espírito plenamente expresso e livre de preconceitos
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Rafa Barros
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Será que estamos preparados para sermos nós mesmos, com a alma despida dos preconceitos, medos e julgamentos? Conseguiremos caminhar pelas palavras sinceras sem nos ferirmos com espinhos ou escorregarmos na espuma da falsa brandura?
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Rafa Barros
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Uma das artes mais difíceis para o ser humano é perdoar. Não apenas o erro alheio, mas o sentimento de culpa que vez por outra atormenta nossa consciência por aquilo que poderíamos ter feito melhor ou simplesmente pelo que deixamos de ser.
O auto-perdão é tão ou mais importante do que o perdão às falhas dos outros, porque nos livra das amarras da culpa. É, antes, um ato de desprendimento do ego, sempre a nos cobrar perfeição no agir, sucesso nos afazeres, defesa do espaço - tangível ou não -, preservação da autenticidade e manutenção do status.
A auto-punição corrói reações psíquicas e as relações pessoais. Põe fim a amizades, desata casamentos e limita o agir. Apenas por querer preservar nossas máscaras sociais ou prestar contas de nossa pseudo-integridade, punimos inconscientemente nosso campo mental e flagelamos sutilmente nosso corpo perante o ambiente que deveria nos acolher.
Diante da impotência do não-perdoar, ora tendemos à depressão, ora atiramos contra o mundo, espelhando nos que nos cercam nossas próprias carências, construindo assim falsos pontos de apoio para levarmos nosso dia-a-dia com cacos mal-juntados de personalidade.
Não devemos ser tão rígidos com nossa integridade. A fragmentação do eu em diversas personas - o eu-pai, o eu-filho, o eu-amigo, o eu-empregado - é necessária à nossa sobrevivência em um mundo que nos cobra rapidez, desempenho e resultados.
Mas a desculpabilização como exercício diário nos faz reler nossos atos sob uma perspectiva menos dolorosa. Aos poucos, nos damos conta de nossas máscaras punitivas ou evasivas e preparamos nossas almas para uma integridade fluente que vai além das imposições e restrições auto-sugeridas.
A partir daí, a consciência tende a rumar à generosidade e, quando menos nos damos conta, já sabemos sorrir para nossos acertos e jurar amor eterno aos erros que nos fazem crescer.
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Julgar pra quê? Quando a chuva cai, não julga se vai dar vida a novas plantas ou destruir cidades inteiras. Assim que o sol nasce, não questiona se será o vilão dos que não suportam o calor ou a beleza da paisagem enamorada.
Se Deus que é onisciente me concebeu, mesmo sabendo de cada falha que eu poderia cometer, mesmo conhecendo a fundo a alma do seu filho, sequer julgou se eu merecia ou não estar aqui, porque serei eu a julgar a falha alheia? Ainda julgo porque erro. E erro porque julgo. É recíproco enquanto eu for aprendiz. E nessa escola onde somos todos alunos e professores, a falha de uns é acerto de outros.
Por que seria você a atirar-me a pedra? Se julgares que mereço, faça-o. Mas tenhas certeza de que um dia terás a oportunidade de refletir por isso. Refletir como faz um espelho ou um riacho aos seus pés. Projeta tua imagem e te fazes crer que és único, sem perceber que não passas de uma projeção distorcida de ti mesmo.
E que curioso! Vivemos por essas projeções. Através de imagens falsas ou incompletas de nós mesmos ou daquilo que nos dizem para ser ou fazer. Quantas vezes nos perguntamos o que fazemos aqui?
A resposta a essa pergunta se chama busca. Por isso é uma estrada sem fim. Sem fim mas jamais sem rumo. Cada passo fica registrado. Se te ofendo, o perdão começa em mim. Se me maltrato, quem sabe a cura esteja em você?
Por que somos irmãos? Talvez porque o outro seja nada menos do que a extensão de cada um. Minha alegria só se completa quando te faço sabê-la. E meu luto só diminui quando olho para sua dor.
Se meu coração anda doente, não se conforma com a tua realização e trabalha em silêncio para que ela se desmanche. É nossa infância de espírito sem saber lidar com o brinquedo que não temos. Não seria tão melhor reconhecer e aprender em vez de julgar?
Por que o do outro é sempre mais gostoso? Porque sem o outro nada faria sentido. Por isso adoramos as fotos, os blogs, orkuts, facebooks, mp3, o bate-papo com os amigos e o almoço da família. Por isso choramos a partida de um ente querido. É um pedaço nosso que se vai, mesmo se um dia outro quiser essa vaga.
Nosso dia é curto. São 86 mil segundos que passam num piscar de olhos. Os anos se vão em bem menos tempo. Quando nos damos conta, lá estão os fogos a espocar nos céus e a esperança em nossa alma.
Então, por que julgar, criticar, ofender, magoar? Não podemos simplesmente sorrir ou chorar? Deixar fluir nosso sentimento como ele vem ao mundo. E nos abracemos diariamente, ainda que em pensamento, numa corrente de amor sem fronteiras.
Faz bem para os espíritos, faz bem para as cidades, famílias, para o meu vizinho, o seu, para o nosso país e para o planeta em que vivemos. Ele anda doente e só pede um pouco mais de amor. E isso nasce com cada um de nós. Pode acreditar.
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Rafa Barros
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Um dia ela acordou com os olhos distantes e cheios d'água. Acabara de perceber que seu príncipe não passava de uma fantasia. Tratava-se de um homem normal, com erros, acertos, no máximo com uma capacidade inata de cativar, fossem pelas palavras, fossem pelos olhares, fossem pelos gestos.
Ela comprou o príncipe gastando toda a mesada de sua imaginação, pois precisava preencher aquele vazio que a angustiava. Fez-lhe juras de amor, escreveu declarações maiúsculas e tinha a certeza de que, quanto mais se doasse a sua paixão avassaladora, mais perto da felicidade teria chegado.
Descobriu que príncipes não existem quando sentiu o aroma do vinho. Era semelhante ao das uvas e dos sucos que sua mãe preparava para ela com tanto carinho nas refeições. Mas o vinho tinha um toque diferente, especial, meio amadeirado e meio floral, tal qual certos tipos de perfume.
Resolveu conversar sobre isso com sua avó, que a fez sentar-se calmamente à cabeceira de sua larga cama para dizer-lhe: buscas o perfume do vinho em uma uva? Não irás encontrar. É como achar que um quadro é a soma das cores nele impressas ou que um concerto é simplesmente o conjunto dos ritmos ditados por cada instrumentista.
Há uma sabedoria inerente ao vinho, aos quadros, aos perfumes, aos sons e à vida. Se não curtisse no barril de madeira, o vinho seria suco ou, no máximo, vinagre. Se o perfume não tivesse a melhor combinação de aromas, não seria tão marcante, continuou. Se a tinta não secasse, o quadro seria um conjunto de borrões, pois que, transportado para lá e para cá, perderia sua forma e não seria belo como antes.
Sem precisar dizer mais uma palavra, sua avó pediu que dormisse. E, em dormindo, acreditasse mais nos sonhos, que observasse mais o balé suave e harmonioso da vida. Que acreditasse menos no mundo ao redor e em suas imposições. Mas, acima de tudo, que cresse mais nela própria. Naquilo que seu coração lhe dizia nos poucos segundos em que permitia o mundo a sua volta silenciar-se.
Foi quando ela dormiu. E acordou com os olhos marejados e pensamentos distantes pela morte de um príncipe que acabara de perder o encanto.
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